Blogagem Coletiva : Para quem ainda não nos conhece somos  um grupo de 24  “mães internacionais” de 14 países que divulgam a maternidade e as culturas dos seus devidos paises. Cada mês falamos de um assunto preestabelecido, hoje postamos todas sobre parto.

Sobre as parteiras domiciliares na França

Parteiras domiciliares na França são mulheres altamente determinadas, Corajosas e Humanas , apesar de escolherem a profissao mais velha do planeta e uma das mais complicadas exercidas nos dias de hoje, perpetuam e transmitem esta sabedoria com muito amor e devoção. Antigamente acompanhar uma mulher gestante era um trabalho exclusivo de mulheres e muitas vezes era chamado de “roda de mulheres”.

Stamp Blogagem ColetivaA parteira pode prescrir clinicamente, ecografias, certos remédios, exames… e você pode optar pelo atendimento exclusivo da parteira durante a gestação, para o parto e pós parto, sem precisar recorrer a ginecologistas ou outros. Ainda é raro isso acontecer, geralmente as mulheres optam pour multiplos atendimentos medicais.

Muito constrangedor a parteira francesa não  pode ter seguro de trabalho, o que ela ganha por ano é praticamente o que o seguro pede para cobrir os famosos “riscos e perigos” da parto a domicilio. Isto tb explica porque poucas parteiras exercem como domiciliares, a maioria trabalham em hospitais. Onde se sentem “protegidas” pelo sistema.

O risco que elas se autorizam é o mesmo que as maternidades permitem, o mínimo e para dizer a verdade acho que elas não se permitem ter riscos, justamente pela falta  compreensão e medo de processos.

Não há parto domiciliar praticado fora de um certo perimetro, sempre a maternidade deve estar ao alcance em caso de urgências. A maternidade mais próxima da sua casa possui um dossier no caso de que a necessidade vier à tona.

A parteira chega na tua casa com malas e malas de equipamentos medicais e com material para primeiro socorro. Por exemplo quando vai ter bb em casa você é obrigada a alugar um tubo de oxigênio. Assim como para o parto hospitalar, os gastos são todos pagos pela seguridade social.

Parto da pequena nos Alpes

Antes de contar sobre o meu primeiro parto tenho que dizer que não seria possível ter tido estas experiências se eu não tivesse lido os livros dos famosos obstetras  ( os raros que escutam suas partes femininas) Michel Odent “A cientificação do Amor” e Frederick Leboyer  “Nascer sorrindo”.

Li muitos outros que tb me ajudaram a entender o ato, mas estes dois caíram como uma luva e revelaram a força que eu tinha dentro de mim e me ajudaram a entender que a mulher tem capacidade de parir e sozinha. Como eu gosto de desafiar minhas capacidades, entrei de cara sem nunca duvidar. Pois eu sabia que se duvidaria eu desistiria.

Minha parteira morava a 1h de carro da minha casa , eu e P fomos visitá-la 3 vezes. Aprendi entao, que tinha um períneo e muitos músculos diferentes em volta à serem trabalhados. Aprendi que minha respiração era minha melhor aliada para parir sem medos. Dia X chegou e de manhã senti as primeiras contrações, senti que daquele dia não passaria.

E coisa incrível, minha mãe chegava na mesma tarde do Brasil, as 17 horas catei minha mãe e P para ir andar na floresta. Nesta hora minhas contrações começaram a ficar de hora em hora. Voltei, liguei para a parteira e disse “vem é para hoje”. Comi um baita prato de arrozfeijaofarofa, sob os olhos arregalados de minha mãe. Depois andei muito, me fazia bem, queria mesmo estar fora no ar livre, eu queria ficar nua, ai já viu, fiquei andando no apê mesmo. Coloquei velas e apaguei as luzes, uma verdadeira penumbra. Tomei um banho na banheira, tentei ficar na água mas não gostei.

La pelas tantas o trabalho de verdade começou e a partir daí não saí mais do quarto. Com meus joelhos no chão abraçada na cintura do P, fiquei durante tempo (não tenho a mínima noção do tempo exato). A parteira ficava colocando toalhinhas molhadas em agua quente ao redor dos meus orgãos genitais, um alivio e é super agradavel, recomendo. Depois ela forrou todo o quarto, preparou uma coisa ou outra, acolheu uma outra parteira principiante que se propôs a assistir o parto, que virou amiga.

Minha mãe e P estavam ali me dando apoio e super discretos, só me olhavam, amei esta discrição e apoio “presente” ao mesmo tempo. A bolsa d’água estourou, literalmente, alguns minutos antes do bb chegar e todo mundo que estava em volta tomou um banho, rimos. Só sei que ainda estava agarrada na cintura do P quando bb chegou e que dei uns bons gritos de entrega nas suas orelhas. (ele confessou depois que foi i m p r e s s i o n a n t e ). Lá pela pelas 2h da manhã meio fora do ar acolhi bb em meus braços, ainda trémula fui me deitar com ela e enquanto isto a  parteira secou o quarto, tempo depois veio pedir para eu liberar a placenta e fazer dois pontos, ai uma episio, ufa! nem me lembro.

Claro esta noite não dormi e nem queria. Só queria ficar olhando a mais bela criatura mamando muito colostro. Já era gulosa!. Não sei o que significou dor na hora do parto, para mim esta sensação de abertura e acolho que sentia era mais uma forma de força supra-humana que outra coisa. ( Ja ouvi falar em depoimentos de parto orgásmico, mas isso pode chocar algumas se eu entrar neste assunto;).)

Parto do pequeno em Paris

Encontrei uma parteira muito experiente e muito ligada com o trabalho das parteiras indígenas do Canada. Esta mulher é uma sabedoria e humildade ambulante. Visitei 2 ou 3 vezes com P preparar o parto e sobretudo para nos conhecermos. Estava bem mais sobrecarregada neste final de gestação, com criança no colo e muito resfriada, era fatigante.

Num sábado tive falsas contrações e fiquei alerta. No domingo de tarde comecei a ter contrações outra vez e super contente de ter o maridão para ajudar a cuidar da pequena de 22 meses. Claro fui para a floresta, desta vez fui meio cedo, todo mundo me falava que o segundo viria mais rápido. La pelas 20h pedi para aparteira vir. Colocamos uma lâmpada especialmente concebida para irradiar uma luz leve e suave, uma paz! Começamos por tentar colocar a pequena p dormir e nada, a esperta estava muuito curiosa. Decidi ficar na sala já que os quartos eram em cima e tentar deixar a pequena dormir, mas difícil.

As 23h o trabalho de verdade começou e tive que pedir para P ficar comigo e deixar a pequena dormir sozinha, choramingou um pouco e dormiu logo. Fiquei de joelhos agarrada na cintura do P outra vez, ele estava sentado no sofá. Gente e ali começou a melhor coisa que eu poderia esperar de um trabalho de parto MASSAGEM, meu maridão me massageou durante uma hora em movimentos circulares em cima do meu sacro.

Aaaahhh so de lembra… E por incrível que pareça meu resfriado simplesmente desapareceu. Não precisei dar meus berros de liberação e nem queria desta vez, tentei entender o que estava sentindo e senti outras coisas que no primeiro parto. Não precisei ficar fazendo força, descobri que era inútil e que isto rasgaria minha vagina. A bolsa tb estourou logo antes do bb chegar e desta vez foi mais discreto e ninguém se molhou. Deixei bb fazer seu caminho e chegou la pela meia noite. ufa! terminei, quanta coisa p ler, se chegou até o fim obrigada pelo interesse:))!!!

“Meus partos foram maravilhosos. Não acredito em sorte, acredito em encontros.” Abraços!

Veja experiência de outras mães no Mães Internacionais .

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